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Processo eletrônico e a modernidade que tanto esperamos

O processo eletrônico vem levantando uma verdadeira polêmica entre os operadores do Direito, suscitando receios e fazendo-os acenar com uma série de dúvidas. Pois bem, o futuro chegou. O que fazer com ele agora?
Ainda que eu aceite as ponderações e entenda os receios gerados em torno desta nova ferramenta que nos colocam à disposição, é preciso que tenhamos bom senso. O processo eletrônico precisa, sim, ser muito bem compreendido para ser colocado em prática a fim de que não cometamos erros que possam prejudicar a nossa prestação jurisdicional, mas convenhamos, esta é uma ferramenta que, se bem utilizada, só pode trazer benefícios.
Durante uma vida na magistratura ouvimos os nossos colegas reclamarem da morosidade – a própria sociedade se ressente dessa deficiência – e quando, finalmente, nos deparamos com algo que pode contribuir para a tão sonhada agilidade judicial, não podemos nos posicionar contra ou passar a tratá-lo como um problema, sem que antes nos possa mostrar a eficácia da solução.
Estamos às vésperas de colocarmos essa ferramenta à prova e ponto final. De nada adianta ficarmos nos debatendo, criando empecilhos para aquilo que é inevitável. Certamente, o sistema deve ter as suas falhas que precisarão ser aperfeiçoadas. O que importa nesse momento é que possamos nos assegurar de que tais falhas não sejam irreversíveis e, certamente, não serão.
Assustar-se diante das mudanças é inerente ao ser humano, mas adaptar-se a elas é também uma grande virtude nossa. Se não fosse assim, até hoje estaríamos na velha máquina de escrever corrigindo nossos erros com fitas de errorex. Quem se imagina hoje prolatando sentença que não na frente do seu computador ou notebook? Quem trocaria hoje a agilidade de enviar um e-mail para um amigo por uma carta envelopada e selada, que lhe obrigará a sair do seu gabinete ou escritório para levá-la a uma agência de correios?
O mundo está evoluindo muito rápido e não faz o menor sentido que as pessoas fiquem desperdiçando tempo naquilo que podem imprimir tecnologia. Talvez a adaptação nos roube um pouquinho mais de tempo nos primeiros procedimentos, é possível que ocorram falhas que precisarão ser corrigidas, mas nada que não possa ser superado, adaptado e melhorado.  Depois deste, outros programas de processo eletrônico deverão surgir nos oferecendo ainda mais recursos e, dentro de muito pouco tempo, estaremos nos questionando como conseguimos trabalhar tanto tempo sem ele. Mais: haverá uma geração de magistrados que sequer vai imaginar como o processo era feito, exceto por relatos de colegas mais antigos.
O período de transição será o mais traumático. Como em todo processo cirúrgico bem sucedido, a medida que os dias forem passando e o corte for cicatrizando, as dores vão diminuindo, e o paciente se conscientizando que a cirurgia foi mais do que necessária para a sua sobrevivência.
Há algumas poucas décadas a teoria sobre possibilidade de nos comunicarmos com outra pessoa que estava do outro lado do mundo, por meio de um simples computador, arrancou muitas gargalhadas. Anos depois o mundo se curvou frente à rede mundial de computadores que tornou esta previsão - até então utópica – uma realidade. Se um processo tão complexo foi capaz de lograr êxito, confesso que me custa acreditar que a transformação da nossa realidade para o processo eletrônico seja um perigoso caminho a ser perseguido.
É assim que se alcança a tecnologia no Judiciário que, diga-se de passagem, estamos bem à frente do primeiro mundo.

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