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A Ilha – homenagem aos cinqüenta anos da revolução cubana

Rafael da Silva Marques
Juiz do Trabalho Substituto

Dizem que quem sai do aeroporto José Martí em direção ao centro de Havana,
em determinado ponto do trajeto, depara-se com uma mensagem. “Esta noite
quinhentas mil crianças dormirão na rua. Nenhuma delas é cubana”.

A revolução cubana comemora cinqüenta anos. Sonhos, amores e esperanças
foram depositados nas mãos de Fidel Castro e sua idéia de implantação do
socialismo em uma pequena ilha caribenha, menor do que a maioria dos
estados brasileiros.

Antes de Fidel, cuba era governada por Baptista, carrasco e partidário da
expropriação do humano por um punhado de dinheiro. Deposto, fugiu da ilha,
covarde, como um bando de estrangeiros que faziam de Cuba colônia de
férias de tiranos e ditadores capitalistas vindos do norte.

Os cubanos deram a alma em nome da igualdade material. Aproximaram-se
muito dela. Educação, saúde e moradia todos têm. Não há quem passe fome.
Não há, também, o que desperdiçar.

A essência do socialismo está em dar a cada um o que é seu. Dar a cada um
apenas o que é seu. A revolução cubana começou por onde a revolução
burguesa parou. Se estes não trouxeram a prometida igualdade e venderam o
engodo da igualdade formal, Fidel prometeu e cumpriu a igualdade material.

Nesta madrugada de 03 de janeiro de 2009, chuvosa em Porto Alegre,
milhares de crianças dormirão na rua. Todas elas são humanas. Neste país
que gera mais de um trilhão de dólares americanos de riqueza por ano e que
cresceu mais de 5% em 2008, ainda há quem não tenha como dormir nos dias
de tempestade.

Falta muito na ilha. Falta a liberdade. A liberdade se conquista aos
poucos. Não é fulminando a imprensa, artistas ou intelectuais que se
atinge a liberdade. Liberdade se faz com a alma independente, com a
essência imaterial amparada das conquistas materiais. Não se pode
considerar livre quem não tem o que comer ou quem não tem onde morar,
mesmo que possa ler qualquer jornal ou revista. Fidel sabe disso. Não se
pode desenvolver um país pequeno com embargo econômico. Imaginem um
embargo econômico à China. Cresceria ela 10% ao ano?

Quanto aos dissidentes, emigrantes ou fugitivos, Cuba os exporta. Mas será
que o México não o faz? Que seria dos Estados Unidos sem os mexicanos? Um
dia sem os mexicanos. Das multinacionais estadunidenses sem a exploração
do trabalho e a corrupção dos costumes em municípios mexicanos como o de
Juarez? E da Espanha? País onde 10% da riqueza é produzida por
“imigrantes” ou seriam dissidentes?

Há muito que fazer na ilha. Mas há muito que comemorar. A experiência da
revolução e a necessidade de que a cada dia a idéia da revolução
permanente deva realizar-se não pode ser apagada da mente dos cubanos. O
socialismo é a essência do humano. Aristóteles já dizia que o homem é um
ser social. Que Cuba reascenda a chama da revolução e recomece, agora pela
idéia de liberdade, uma “nova revolução permanente”, que andará de mãos
dadas com a igualdade, permitindo que cada um, livremente, decida seu
destino, sem se preocupar se terá, amanhã, o que comer, onde morar ou para
quem trabalhar. Parabéns a Cuba. E que ela se mantenha na contramão da
história ocidental. Sempre!

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