Há coisas que as pessoas podem fazer. Há coisas que elas não podem fazer. Há coisas que não podem fazer de jeito nenhum. Há coisas que elas fazem, mesmo sem poder fazer...
Quando se mexe em algo que é das pessoas e de que a sociedade por evolução, costume ou fonte interna reproduz e faz disso sua forma de comunicação, a ninguém, por mais importante que pense ser, é dado o direito de desfazer...
A legitimação democrática não se reflete apenas uma aparência de democracia através do suposto voto representativo. Ela está próxima dos cidadãos quando ao conceito e significado das palavras.... Não há quem diga o que seja “instalar”, a não ser a sociedade. Não há quem diga o que não é “ser”, porque o ser é. Ou não é....
Por que mexer na língua... porque mexer a língua não (isso é sempre bem vindo)... porque mexer na língua.... se nos chamam de ladrão, bixa ou maconheiro... podemos não ser, mas sabemos do que nos chamam.... a legitimação da democracia pela linguagem reflete o que a sociedade é e diz....
Como dizer que o tempo não para. O tempo não para quem? Se o tempo não é para, ao mesmo tempo, pela dialética, ele é para alguém.... Sacar o acento do “pára” desta preciosidade de Cazuza é o mesmo que retirar as mãos e não a orelha de Van Gogh ou o primata do homem dos Titãs... ou quem sabe o selvagem do capitalismo..... je ne sais pas...
Há coisas que as pessoas podem fazer.... e há coisas que elas não podem fazer de maneira alguma. O que se pode fazer, no caso de nossa reforma da língua portuguesa, é permanecer inerte...
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