|
AMATRA na Mídia
Publicada em: 06/10/2008
Assédio moral no ambiente de trabalho
Publicada em: 09/09/2008
Discurso de Despedida
Publicada em: 26/06/2008
Artigo do presidente da AMATRA IV publicado em Zero Hora do dia 23/6
Publicada em: 23/06/2008
Súmula Vinculante n º 4: perspectiva hermenêutica da definição da base de cálculo do adicional de insalubridade
Publicada em: 17/06/2008
Maio de 1968.
Publicada em: 17/06/2008
Mais do que eventos – Fórum Mundial de Juízes
Publicada em: 04/06/2008
Sentenças Líquidas
Publicada em: 27/05/2008
Abolição tardia e inconclusa
Publicada em: 20/05/2008
Revista íntima e danos morais
Publicada em: 15/05/2008
POR QUE BERLUSCONI GANHA?
Publicada em: 15/05/2008
Quando a sorte acaba, a morte chega
Publicada em: 30/04/2008
Trabalho, Humanidade e Meio Ambiente.
Publicada em: 30/04/2008
AS TRANSFORMAÇÕES DO CPC E SUA REPERCUSSÃO NO PROCESSO DO TRABALHO
Publicada em: 15/04/2008
O trabalhador, a justiça e a previdência
Publicada em: 08/04/2008
Inefetividade de direitos constitucionais do trabalhador
Publicada em: 01/04/2008
SENTENÇAS LÍQUIDAS – Um retrocesso na celeridade processual
Publicada em: 24/03/2008
O retorno da Convenção 158 da OIT
Publicada em: 22/03/2008
Meio ambiente laboral sadio
Publicada em: 17/03/2008
Intercâmbio de autoridades judiciais Ibero-Americanas: o procedimento oral laboral e outros temas
Publicada em: 26/02/2008
Revistas pessoais a empregados
Publicada em: 20/02/2008
Desafios do Judiciário neste novo Século
Publicada em: 23/01/2008
Estancar a sangria
Publicada em: 22/01/2008
O novo contrato de trabalho rural por pequeno prazo
Publicada em: 09/01/2008
A origem da igualdade entre os homens.
Publicada em: 08/01/2008
A VALORIZAÇÃO DO TRABALHO
Publicada em: 08/01/2008
Mutações no mundo do trabalho
Publicada em: 08/01/2008
O espetáculo do terror olha para a América Latina
Publicada em: 08/01/2008
Quem tem medo da democracia nos tribunais?
Publicada em: 10/12/2007
Vôo 3459 da TAM
Publicada em: 28/11/2007
O DIREITO DO TRABALHO DE VOLTA AO FUTURO
Publicada em: 28/11/2007
Três observações sobre o projeto das centrais
Publicada em: 27/11/2007
Quando o consumismo é doença
Publicada em: 19/11/2007
Em defesa da humanidade
Publicada em: 19/11/2007
A Constituição e a autonomia dos sindicatos
Publicada em: 14/11/2007
A inconstitucionalidade da emenda sobre a contribuição sindical
Publicada em: 12/11/2007
TENDÊNCIAS CONSTITUCIONAIS EM MATÉRIA TRABALHISTA
Publicada em: 12/11/2007
Chama da memória
Publicada em: 08/11/2007
Por um Pacto Social.
Publicada em: 08/11/2007
NEGOCIAÇÃO COLETIVA NO SERVIÇO PÚBLICO
Publicada em: 06/11/2007
A importância histórica do Direito do Trabalho
Publicada em: 06/11/2007
A balança da Justiça do Trabalho
Publicada em: 31/10/2007
O DIA-BÓLICO E O SIM-BÓLICO NA LEI MARIA DA PENHA
Publicada em: 29/10/2007
Senado Federal e STF: queda e ascensão
Publicada em: 26/10/2007
Falsos mitos
Publicada em: 25/10/2007
Mudança golpista
Publicada em: 25/10/2007
Fundo Nacional de Execuções - I
Publicada em: 23/10/2007
A desigualdade é violenta
Publicada em: 22/10/2007
É golpe preocupante proposta da nova CLT em curso no Congresso
Publicada em: 22/10/2007
"Nova" CLT tem falhas graves, prejudiciais aos trabalhadores
Publicada em: 22/10/2007
Uma Fábula para Tempos sem Ética
Publicada em: 22/10/2007
El cielo como bandera
Publicada em: 15/10/2007
Reflexão sobre as pessoas jurídicas individuais.
Publicada em: 15/10/2007
A vingança do Estado mínimo
Publicada em: 15/10/2007
Presidente Lula, ida da Caixa ao TST mancha sua biografia
Publicada em: 15/10/2007
Salário sem ônus ?
Publicada em: 10/10/2007
Efetivação do Direito do Trabalho
Publicada em: 08/10/2007
Pássaros no vidro
Publicada em: 02/10/2007
Foro privilegiado ampliação ou extinção?
Publicada em: 01/10/2007
Reconhecimento das centrais sindicais no Congresso Nacional
Publicada em: 01/10/2007
Prerrogativa ou privilégio?
Publicada em: 01/10/2007
Falácias sobre o "déficit" da Previdência
Publicada em: 01/10/2007
O reencontro tardio de Lula com Getúlio
Publicada em: 01/10/2007
O livro dos mortos e desaparecidos
Publicada em: 01/10/2007
Pós-2001: era dos direitos ou do terror?
Publicada em: 01/10/2007
A derrubada do mito dos custos do trabalho
Publicada em: 01/10/2007
Natureza não tributável da reparação de dano moral
Publicada em: 24/09/2007
CARTA DE MONTEVIDEO
Publicada em: 19/09/2007
Empréstimo consignado e descontos legais
Publicada em: 12/09/2007
Morto no trabalho, mas sem atrapalhar as vendas
Publicada em: 10/09/2007
Um atentado contra o patrimônio nacional
Publicada em: 03/09/2007
Teleatendimento e Telemarketing
Publicada em: 03/09/2007
Criancinhas
Publicada em: 03/09/2007
SOUTO MAIOR E A REVISTA EXAME
Publicada em: 31/08/2007
AVANÇOS PARCIAIS E NOVAS LACUNAS (1)
Publicada em: 28/08/2007
Presidente da AMATRA IV faz artigo criticando Revista Exame
Publicada em: 24/08/2007
SERGINHO QUER SER JUIZ, COITADO!
Publicada em: 23/08/2007
Justiça do trabalho e jurisdição penal
Publicada em: 22/08/2007
Judiciário busca alternativas para combater morosidade
Publicada em: 22/08/2007
Como um quinto pode virar um inteiro ?
Publicada em: 14/08/2007
A aplicabilidade da denunciação da lide no processo do trabalho
Publicada em: 13/08/2007
Necrocombustíveis
Publicada em: 13/08/2007
Direito do Trabalho: questão de cidadania
Publicada em: 13/08/2007
O que será o amanhã?
Publicada em: 08/08/2007
Os efeitos da aposentadoria espontânea
Publicada em: 08/08/2007
REFORMA TRABALHISTA, SIM. MAS QUAL?
Publicada em: 06/08/2007
Flores e velas em homenagem a Jean Charles, morto há dois anos pela polícia britânica
Publicada em: 06/08/2007
Acidentes de trabalho: quem são os culpados?
Publicada em: 02/08/2007
Corrupção no Poder Judiciário ainda é insignificante
Publicada em: 02/08/2007
Quanto mais controle do eleitor melhor
Publicada em: 02/08/2007
Por que você trabalha?
Publicada em: 02/08/2007
A invenção da crise
Publicada em: 02/08/2007
CLT - Fundamentos ideológico-políticos: Fascista ou liberal-democrática?
Publicada em: 01/08/2007
A vergonha do trabalho infantil
Publicada em: 31/07/2007
O DIREITO AOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS NO PROCESSO DO TRABALHO: EXEGESE DOS ARTS. 389 E 404 DO CÓDIGO CIVIL
Publicada em: 31/07/2007
Propostas para a Previdência (I): idade mínima
Publicada em: 31/07/2007
Amatra IV divulga Nota sobre falecimento de seu advogado, Dr. Paulo de Tarso Dresch da Silveira
Publicada em: 19/07/2007
PRESCRIÇÃO ACIDENTÁRIA
Publicada em: 17/07/2007
AVANÇOS PARCIAIS E NOVAS LACUNAS (1)
Publicada em: 16/07/2007
Seres humanos ou mercadorias?
Publicada em: 13/07/2007
Flexibilização da CLT e reforma trabalhista
Publicada em: 10/07/2007
A CARACTERIZAÇÃO DO REGIME DE SOBREAVISO DIANTE DAS INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO.
Publicada em: 09/07/2007
O TRABALHO ESCRAVO E A POESIA LIBERTÁRIA DO SÉCULO XIX
Publicada em: 05/07/2007
Atualidade da Súmula 229 do E. STF
Publicada em: 04/07/2007
RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS NO ÂMBITO DAS SOCIEDADES
Publicada em: 04/07/2007
CAPITAL x AUTORIDADES DO MERCADO MUNDIAL
Publicada em: 03/07/2007
Peritos do INSS devem obediência à nova metodologia na concessão dos benefícios acidentários
Publicada em: 02/07/2007
ENVELHECIMENTO SADIO
Publicada em: 02/07/2007
Os bancos não desistem: o PL 143/2006
Publicada em: 27/06/2007
O fiscal, o juiz e a Emenda nº- 3
Publicada em: 27/06/2007
Romper com a indiferença!
Publicada em: 25/06/2007
A corrupção no Judiciário
Publicada em: 25/06/2007
Aposentadoria espontânea e multa do FGTS
Publicada em: 19/06/2007
A PRESERVAÇÃO DA EMPRESA SOB O ENFOQUE DA NOVA LEI DE FALÊNCIA E DE RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS
Publicada em: 18/06/2007
Unidos pelo trabalho decente
Publicada em: 18/06/2007
Combate ao trabalho infantil
Publicada em: 18/06/2007
As ruas e as salas de audiência
Publicada em: 18/06/2007
O paradoxo chinês
Publicada em: 13/06/2007
A crise política e o Judiciário
Publicada em: 13/06/2007
A força moral do Judiciário
Publicada em: 13/06/2007
Origem do julgador
Publicada em: 11/06/2007
É positivo o balanço dos dois primeiros anos de atuação do Conselho Nacional de Justiça? SIM
Publicada em: 11/06/2007
O que precisa ser dito
Publicada em: 06/06/2007
Coorporativismo Danoso
Publicada em: 06/06/2007
A FALÁCIA DA EMENDA 3
Publicada em: 06/06/2007
Instrumento de dignidade
Publicada em: 05/06/2007
Ética, Moralismo e Codificação da Ética pelo Conselho Nacional de Justiça
Publicada em: 04/06/2007
Justiça baliza os limites do poder do empregador
Publicada em: 31/05/2007
A lei das microempresas
Publicada em: 31/05/2007
Privilegiar para quê?
Publicada em: 31/05/2007
Crescimento sem emprego
Publicada em: 23/05/2007
Reforma da execução em Portugal - Desjudicialização ou privatização?
Publicada em: 22/05/2007
Viva a corrupção! Ou por que gosto das manchetes de corrupção no Poder Judiciário.
Publicada em: 14/05/2007
USINAS DA MISÉRIA
Publicada em: 14/05/2007
O STF e o devido processo legal
Publicada em: 14/05/2007
JORNALISMO POLÍTICO - O luto da Imprensa
Publicada em: 14/05/2007
O valor de quem trabalha
Publicada em: 02/05/2007
1º de maio - dia do trabalhador saber que a luta continua
Publicada em: 02/05/2007
A Super-Receita e a função arrecadatória da Justiça do Trabalho, por
Publicada em: 30/04/2007
Defesa da Justiça trabalhista
Publicada em: 27/04/2007
Pagamento através de empresas de marketing de incentivo
Publicada em: 19/04/2007
A Previdência Social brasileira não é “generosa”
Publicada em: 12/04/2007
O olhar do Poder Judiciário sobre as Ações Civis Públicas Trabalhistas
Publicada em: 11/04/2007
Artigo:Racismo explícito
Publicada em: 10/04/2007
Guia para Jornalistas sobre Trabalho Infantil
Publicada em: 31/03/2007
Artigo - O fim do Nepotismo
Publicada em: 30/03/2007
Reforma da Previdência
Publicada em: 30/03/2007
CSJT regulamenta honorários periciais para Justiça gratuita
Publicada em: 30/03/2007
Anamatra apóia o veto à Emenda 3
Publicada em: 30/03/2007
Debate Eleições da Anamatra
Publicada em: 29/03/2007
|
Trabalho, Humanidade e Meio Ambiente.
18Autor: 18
- Henry Mora Jimenéz – Costa Rica –
Palestra proferida no XIV Conanat – MANAUS
Sei que muitas pessoas, organizações, instituições e empresas tornaram possível a realização desse evento. Humanidade, trabalho e meio ambiente. Quem sabe deveria se agregar a esses termos a “era da globalização”, porque, certamente, é preciso fazer comentários sobre temas tão básicos, é precisar o período histórico em que vivemos.
Também é preciso mencionar uma palavra que sintetiza esses três termos - humanidade, trabalho e meio ambiente - essa palavra é: vida. Efetivamente, quero fazer meus comentários sobre o tema de fundo desse congresso a partir do tema “vida”. Todos temos perguntado, em algum momento de nossa existência, qual é o sentido da vida? Não se preocupem não irei fazer explanação sobre questões espirituais. Estou comovido em estar aqui nessa região tão vasta do Brasil, porque ela tem muita relação com a vida humana.
Quero falar desde a perspectiva da vida, mais especificamente, a partir da afirmação da vida. Porque sentimos que, hoje, a vida humana, em particular, está profundamente ameaçada. Então, o tema da humanidade deve ser apresentado a partir do exame de um conjunto de ameaças globais que enfrentamos hoje em dia e que demandam uma nova responsabilidade e cultura, se quisermos superá-las. Perguntava, anteriormente, qual o sentido da vida? Começo a responder de forma simples e direta. Para mim, o sentido da vida é vivê-la, simplesmente viver a vida. Mas seria somente isso? Estou tentado a agregar a esse conceito simplista, algumas condições como viver a vida com responsabilidade, com harmonia, buscando a verdade, a sabedoria. Sem embargo, o ponto de partida que quero apresentar-lhes não é a vida em geral, mas a afirmação, a aceitação de que no atual estágio em que nos encontramos, a vida humana se encontra ameaçada. Por isso quero partir dessa afirmação: ameaçada, não simplesmente por ameaças que temos sofrido por décadas e séculos anteriores; mas de ameaças que temos criado, nós mesmos, esta geração, a anterior nos últimos cinqüenta e sessenta anos. É de nossa responsabilidade responder a essas ameaças. Isso nos leva ao tema da globalização.
A vida diária e a consciência cotidiana já não se expressam de maneira contundente; o mundo se fez global. O sentido geral desse fenômeno – o da globalidade que não é o mesmo que globalização – e o desenvolvimento tecnológico da última técnica tem feito com que chegássemos à consciência da globalização. A globalidade tem conduzido o ser humano a uma consciência efêmera. Trata-se de uma vivência de globalidade que tem implicado um corte histórico e que a humanidade teria que distinguir a história presente de toda a história humana anterior. A palavra globalidade temos que ter presente porque isso tem implicação no estudo e na análise da globalização. Os últimos quinhentos anos têm gerado conseqüências que hoje são sentidas com mais muito mais intensidade. Na última década passamos a sofrer ameaças que, no entanto, se fizeram sentir com mais intensidade em 1945, com o lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima. Com a bomba atômica, surgiu a primeira arma global, porque seu uso futuro comprometia a existência da própria vida humana. Durante 30 ou 40 anos a humanidade viveu sob a ameaça da guerra nuclear. A primeira ameaça sobre a qual tivemos consciência foi a bomba de Hiroshima. Nesse momento, começou a surgir uma nova consciência sobre a finitude dos recursos da terra e a fragilidade da vida humana.
Devemos assumir uma responsabilidade que até há pouco tempo não era sentida como necessária e que há séculos atrás só poderia ser sonhada. Refiro-me à responsabilidade pela vida. É uma condição de possibilidade que deve se integrar a uma única exigência. Mesmo apesar de que todo o tempo, a concepção positivista se divida entre ser e dever ser. A morte e a devastação em escala planetária causadas pela guerra após o lançamento da bomba atômica, alertaram, pela primeira, vez sobre a possibilidade real de uma crise apocalíptica não pela fúria de um criador, mas pela ação dos seres humanos. O genocídio atômico aparecia como algo aparentemente externo à ação humana cotidiana como um recurso trágico e extremo a que os EUA lançou mão para por fim a uma guerra fratricida. A crise dos mísseis em Cuba, em 1963 pôs em xeque essa pretensão. Porém, a bomba atômica era a primeira ameaça global de que nos recordamos. Contudo, desde os anos setenta, novas ameaças globais se fizeram presentes.
Primeiramente, por intermédio do chamado informe do Clube de Roma, sobre os limites do crescimento mundial e as ameaças de uma catástrofe global. O caráter de globo terrestre e não de planície, suportável à exploração dos seres humanos, já nos anos setenta, provocava os debates sobre os efeitos dessa movimentação da humanidade. E, conseqüentemente, do aquecimento global que, como sabemos, descongela os pólos terrestres. E isso decorre da ação humana. É certo que, no passado, as crises fizeram desaparecer espécies terrestres e estas foram causadas por fatores climáticos. O elemento central que está causando o aquecimento global é a própria ação humana, diferentemente dos efeitos externos que causaram o desaparecimento de espécies, provenientes da acomodação do clima, ou mesmo, internos, a partir da extinção de espécies por seus predadores. Estamos às portas de um “ecocídio”, se permitirmos que a temperatura do planeta continue a se elevar em dois graus a cada período de cem anos. Nas últimas décadas, a temperatura acelerou em 0.8 graus, mas se a elevação for muito superior a isso, teremos uma devastação planetária, provocando que milhares de espécies de animais desapareçam. Nos anos 80, aconteceu um fenômeno de proporções globais que tenta transformar a vida em objeto de uma nova vida humana. A biotecnologia em geral e a engenharia genética, em particular, no meu sentir, também constituem ameaça global. A partir do mesmo método das ciências empíricas elas se apresentam. O método tradicional das ciências empíricas de tradição cartesiana, a segmentação, a partição e o experimento simultâneo faz com que não seja possível distinguir o desenvolvimento do conhecimento e a sua aplicação, pois ambos são a mesma coisa. Não se tem conhecimento sobre clones humanos sem fazê-los. A própria concepção da cientificidade parte da lógica de mercado.
Em relação ao conjunto de ameaças globais, se está desembocando em uma crise geral de convivência humana, que José Saramago expõe magistralmente. O desmoronamento das relações humanas, em curso, já afeta a própria possibilidade de nossa convivência. Quanto mais aparece a grande exclusão de vidas humanas, o relacionamento humano se degenera e dificulta a convivência. Já não será uma simples polarização entre os incluídos que mantém a capacidade de convivência com os excluídos, que as perdem, simplesmente. Por exemplo, a drogadição, a violência, a desintegração familiar, a desumanização não os exclui tanto quanto a ausência de trabalho. Se trata de uma última ameaça global que pode resultar na pior, porque incapacita os seres humanos frente à necessidade de enfrentar as outras ameaças e, finalmente, todo o conjunto de ameaças globais. A ausência de convivência humana é a mais grave das ameaças, pelas suas conseqüências desastrosas para a resistência humana.
Às crises dos excluídos, ecológica e da convivência humana aliam-se outras como a da fome, que nos assombra. Por exemplo, há crise de arroz quando tivemos a maior colheita do produto de todos os tempos.
Fica claro, então, que nossa vida se globalizou como nunca havia ocorrido na história humana. A humanidade não pode viver muito tempo sem aceitar essa responsabilidade. Agora sabemos que somos parte de uma grande cadeia de geração. Como diziam as nações indígenas “não pedimos essa trama histórica, somos apenas um elo a mais nela”. Não se trata de uma visão pessimista da humanidade, se trata de ver onde estamos parados nesse tempo, depois de bilhões de anos de história do nosso planeta.
Refiro, então, algumas mudanças fundamentais no mundo do trabalho. Como colocar o dedo na ferida? A manifestação mais clara de ameaça global é a crise da exclusão, que afeta uma considerável parcela do contingente humano.
Temos um acúmulo de milhões de seres humanos que estão excluídos do sistema. Sobre esse tema e o que ocorre no mundo do trabalho muito se tem escrito. Quero me referir, então, a outra variante dessa jornada. Se tem trabalhado menos. O conceito de trabalho, que conhecemos e entendemos, é relativamente recente, surgindo com o capitalismo industrial. O trabalho como relação – capital trabalho – é inteiramente novo e data de 200 ou 300 anos atrás. O que predominava antigamente era o tempo de vida das pessoas, uma parte da qual se dedicava ao cultivo, a fabricar objetos, ao descanso e a recreação. Que faz o capitalismo industrial, nesse ponto: transforma a vida em trabalho, o tempo de vida em tempo de trabalho, criando a sensação ou aparência de que o trabalho pode tratar como uma mercadoria a mais, um par de sapatos, uma bolsa, um serviço de cabeleireiro, ou outra coisa qualquer. Algo similar ocorreu com a natureza. O capitalismo industrial transforma a natureza em fator de produção, em “terra”, como dizem os economistas. Qual o problema com isso? A atual estratégia de globalização neoliberal rompeu um pacto social e político: o “estado de bem estar”. A nova globalização traz uma utopia transcendental. Os programas de estabilização, ajustes estruturais, durante os anos setenta e oitenta, com a abertura dos mercados, impulsionou a flexibilização dos mercados de trabalho. toda essa estratégia pretendia apenas limpar o campo de batalha, pois a guerra econômica apenas começava. Hoje está em marcha uma estratégia mundial, conduzida pelo Banco Mundial e Organização Mundial do Comércio, de fazer subordinar o trabalho conceitual. A revolução industrial subsumiu o trabalho direto, terminando por converter o trabalhador a um apêndice da máquina. Todo o trabalho é intelectual até o mais físico dos trabalhos. Uma situação similar observamos no caso do meio ambiente. Durante a primeira globalização, a que podemos chamar liberal, do século XIX, a natureza foi transformada em fator de produção, mas se trata de uma mercadoria fictícia junto ao trabalho, pois a redução do meio ambiente a uma função econômica como fator de produção, deprime as outras funções iguais ou mais válidas para assegurar as condições de reprodução da vida humana. Vamos aceitar que a natureza seja aceita como fator de produção; porém, a natureza cumpre outras funções que não podem ser reduzidas a funções econômicas. Exemplo, a biosfera é natureza, paisagem, condição, produção contra os raios ultravioleta, etc. A conversão da natureza à capital humano pretende tratar todas essas funções não econômicas, dentro de uma lógica de custo-benefício. De novo se requer uma ética de responsabilidade que assuma explicitamente que a natureza não pode ser tratada como mercadoria sob pena de pôr em perigo a própria vida humana e do planeta em seu conjunto.
Resumindo: podem concordar comigo, podem não concordar. Mas a raiz da problemática da relação humana, da destruição ambiental, reside na inaudita pretensão dos seres humanos tratar o trabalho como se fosse uma mercadoria a mais, assim como a natureza. São inauditas pretensões que levaria ao “ecocídio”, que nos fala Leonardo Bopp. Breves reflexões sobre como enfrentar o problema.
Certamente é um problema político. Contudo, não se reduz a um assunto político. O enfrentamento inclui dimensões que vão além da política tradicional. Toda nossa cultura e civilização estão involucradas nesse desafio. É preciso desenvolver uma cultura que permita e resolva as responsabilidades com essas ameaças. O marco de uma nova esperança. A cultura da responsabilidade exige que sejamos críticos e leva-nos à resistência a esses processos de alienação e destruição do meio ambiente. A responsabilidade não é simplesmente a resistência, mas o que a conduz. A construção do bem comum é um processo em que os valores são enfrentados em sistema concursivo para integrá-los, confundi-los e interpela-los. Tampouco deve-se tentar oferecer instituições naturais ou não. Parte do sistema tradicional em relação aos quais todo o sistema é subsidiário. A liberdade não está na lei, a justiça não está na lei ou fora da lei. Está na relação da lei com o ser humano. Na soberania do ser humano para interpelar qualquer lei que ponha em xeque as condições de reprodução da vida humana nesse planeta. A responsabilidade pressupõe a esperança, desde a qual o medo pode ser transformado em responsabilidade. O que necessitamos hoje é a responsabilidade por um mundo global marcado pelo capital. Como dizia Marx, “as revoluções são a parteira da história”. Quem sabe ele tinha razão, quem sabe não. Na época atual, prefiro parafrasear Valter Benjamin que dizia sobre revoluções: “a revolução são como freios de emergência de uma locomotiva na qual estamos e que se encaminha a toda a velocidade para um abismo”. Aplicar esse freio de emergência é a revolução da qual estamos falando hoje em dia, concluiu Mora Jiménez. Por Ary Faria Marimon FilhoPara o site www.amatra4.org.br Palestra proferida no XIV Conanat – MANAUS 30-04-2008 |