Artigo do presidente da AMATRA IV publicado em Zero Hora do dia 23/6
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Artigo
O poder da informação, por Luiz Antonio Colussi*

Estar à frente de uma entidade como a Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 4ª Região (Amatra IV) é uma grande responsabilidade não só com os colegas - juízes trabalhistas - mas com toda uma sociedade formada por empregados e empregadores.
Desde a Revolução Industrial que a pessoa do trabalhador vem sendo submetida a um contínuo processo de transformação. Nesta trajetória, o conceito sobre o trabalho humano também evoluiu, muito embora a regulação deste pelo Estado continue se fazendo necessária para harmonizar as relações trabalhistas.
Um dos grandes marcos na relação empregado e empregador se deu em 1919, quando o Tratado de Versalhes criou a Organização Internacional do Trabalho (OIT), expressamente constituída para combater a injustiça, a miséria e as privações.
Em 1944, a Declaração da Filadélfia reafirmou que o trabalho não é uma mercadoria e que a penúria representa um perigo à prosperidade geral. Este conceito define o que existe de mais moderno no pensamento das relações trabalhistas ainda hoje: quanto melhor o meio ambiente do trabalho, mais justa a remuneração e, quanto melhores forem os incentivos dados aos seus empregados, maiores são as chances de progresso de uma empresa. O raciocínio é quase matemático: o empregado satisfeito produz mais e com melhor qualidade no produto final; a empresa aumenta a sua produtividade e conseqüentemente seus lucros; isso faz crescer a arrecadação do Estado, que, por sua vez, pode investir mais em infra-estrutura, desencadeando uma rede de prosperidade para todos.
De natureza otimista, e há 14 anos atuando como juiz do Trabalho, preciso reconhecer que foram feitos progressos quanto às relações trabalhistas, e acho que a capacidade de diálogo melhorou muito e consegue, em algumas situações, inclusive, evitar o litígio.
Enquanto presidente da Amatra IV, meu grande desafio será justamente o de ampliar também o diálogo entre os operadores do Direito e a sociedade como um todo, com o objetivo de promover mais e melhor comunicação no segmento trabalhista. Neste sentido, aposto também na eficiência dos veículos da imprensa como grandes aliados, capazes de buscar informação e repassá-la ao seu público de forma clara e elucidativa.
Isto porque acredito sobremaneira na informação. Esta é a principal arma de que tanto empregados quanto empregadores devem dispor para negociar em igualdade de condições.
*Presidente da Amatra IV