A imigração e a guerra por empregos
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- Globo Online -
As matérias são do GLOBO de ontem. Examinam as batalhas da imigração nos países europeus. "Do sonho ao pesadelo: imigrantes tentam driblar cerco cada vez mais apertado a estrangeiros irregulares no continente." "Desemprego faz Espanha endurecer." "Na Alemanha, o medo da violência." "Sarkozy e o plano de fechar portas da Europa: presidente francês quer fazer da imigração sua bandeira à frente do bloco europeu." "Menos hospitalidade no Reino Unido: preocupação de britânicos leva trabalhistas a rever política de imigração." O endurecimento espanhol é atribuído à maior taxa de desemprego (9,6%) de todos os 27 países da União Européia. A violência contra imigrantes na Alemanha é atribuída à reunificação, ao recrudescimento do neonazismo e ao isolamento dos imigrantes em guetos étnicos, que dificultam sua integração cultural. A França pratica a imigração seletiva, com testes de DNA para atestar parentesco com trabalhadores escolhidos "respeitando as especificidades nacionais e levando em conta o mercado de trabalho". Os trabalhistas ingleses aprovaram um sistema de avaliação de habilidades para filtrar a mão-de-obra estrangeira qualificada.
Abordadas isoladamente, as questões migratórias apresentam explicações aparentemente razoáveis.
O neonazismo aqui, o Sarkozy ali, a crescente intolerância espanhola e a menor hospitalidade inglesa acolá. Mas trata-se, evidentemente, de explicações parciais, na verdade sintomas de um fenômeno sistêmico de proporções muito mais abrangentes.
A economia mundial é uma gigantesca engrenagem, um organismo vivo da maior complexidade, um sistema dinâmico em processo de integração com propriedades emergentes não compreendidas, formando um todo em que as partes ainda não se encaixaram. Há mais atrito do que a necessária flexibilidade para o encaixe. "As propriedades de um sistema em nível superior de integração não são exaustivamente explicáveis pela ação de seus componentes tomados isoladamente", observa Ernst Mayr, um dos maiores biólogos do século XX, em seu magnífico "Biologia, ciência única: reflexões sobre a autonomia de uma disciplina científica" (2004).
Os europeus reagem ao choque provocado pelo ingresso de 3,5 bilhões de eurasianos nos mercados de trabalho globais, com as agravantes de uma baixa dinâmica de crescimento, uma legislação trabalhista e previdenciária obsoleta e um fluxo adicional de imigrantes das ex-colônias africanas.
Uma situação que já é preocupante e deve se agravar com a desaceleração econômica global. Mesmo uma economia com forte ritmo de crescimento e tradicionalmente aberta aos fluxos migratórios, como a dos Estados Unidos, enfrentará extraordinárias dificuldades: o índice de desemprego americano registrou o maior aumento mensal em 22 anos, saltando de 5% para 5,5% em maio. As atuais batalhas nacionais em torno da imigração são apenas episódios localizados de uma formidável guerra mundial por empregos já em andamento.