Tendo em vista os acontecimentos envolvendo a suspensão das ordens
prisionais de investigados pela chamada "Operação Satiagraha", a
ANAMATRA - Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho,
entidade representativa de 3.500 juízes do trabalho em todo o Brasil vem
a público manifestar o seguinte:
a) no Estado democrático de Direito, cumpre a todos respeitar e observar
as decisões judiciais, oriundas de quaisquer autoridades judiciárias,
constituindo-se o sistema recursal e demais meios de impugnação
mecanismos processuais idôneos e adequados para se buscar a reforma de
qualquer pronunciamento judiciário;
b) ao constar, contudo, da ordem de soltura de alguns dos investigados,
proferida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, a determinação de
remessa de representação a órgãos disciplinares em face do Juiz Federal
signatário das ordens prisionais, corre-se o risco de repercutir, junto
à sociedade brasileira, a idéia de que a atuação independente dos juízes
brasileiros pode estar comprometida pela ameaça de controle
administrativo e disciplinar do exercício da atividade judicante;
c) o livre convencimento motivado, estampado numa decisão judicial, pode
até estar em desacordo com outras interpretações dadas ao mesmo caso
pelos Tribunais superiores, mas não pode implicar a representação
disciplinar do magistrado por exercer, em tese, sua função nos limites
constitucionais;
d) a independência judicial que se espera dos magistrados brasileiros é
predicamento que não pertence ao juiz de forma pessoal, mas sim à
sociedade, como expressão da garantia de funcionamento apropriado da
autoridade judiciária, conquista de gerações de cidadãos.
Brasília, 11 de julho de 2008.
LUCIANO ATHAYDE CHAVES
Vice-Presidente, no exercício da Presidência da Anamatra